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O desafio do novo acordo climático global

Data: 18/08/2014

As evidências são claras. Em 2013, vimos o frio recorde que castigou o norte dos Estados Unidos, enquanto os organizadores do Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, temiam que a falta de neve provocasse o cancelamento de competições. “Cada vez mais acontecem eventos deste tipo, confirmando as alterações climáticas no planeta”, disse Tasso de Azevedo.

Curador do Blog do Clima, o engenheiro florestal é coordenador geral do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil e membro do Painel de Assessores de Alto Nível da Presidência da COP20. Ele  é responsável pela curadoria – e ontem foi o primeiro palestrante – da série de debates “Mudanças Climáticas: Rumo a um novo Acordo Global“, promovido pelo Instituto CPFL Cultura, em parceria com o Planeta Sustentável e o GT de Clima do Pacto Global.

Tasso explicou de maneira bem didática a relação direta entre o que fazemos e que está acontecendo no mundo. Como emitimos quantidades exorbitantes de gases de efeito estufa na atmosfera, a energia enviada pelo sol à Terra fica aprisionada por estes gases e é refletida de volta ao planeta.

Leves variações climáticas, que no passado demoravam milhares de anos para acontecer, agora são sentidas em pouquíssimo tempo. “A temperatura vai continuar a subir por décadas, mesmo se reduzirmos nossas emissões. O carbono é ainda pior. Estará na atmosfera por séculos ainda”, alerta.

E o que, até então, era questionado por muitos – se seria o homem o responsável pelo aquecimento planetário – os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) já afirmam é certo: sim, nós estamos desequilibrando a harmonia climática na Terra.

Em 2009, o IPCC recomendou que seria necessário definir limite máximo para a elevação da temperatura global e a emissão de gases na atmosfera. O 4º relatório elaborado pelo painel recomendava que o limite deveria ser de 2 graus até o final do século. Entretanto, estudos revelam que no Ártico e numa pequena cidade do estado do Piauí a temperatura já subiu 2 graus. “Já vamos ter estourado nosso orçamento quando chegarmos em 2100”, diz Tasso. “Em 2050, nossas emissões terão que ser negativas! Será preciso um esforço monumental”.

Devemos levar em conta, que além dos atuais 7 bilhões de habitantes, o planeta ganhará mais moradores. E, hoje, ainda há um contingente de 1 bilhão de pessoas que não emitem nada. Como vivem em zonas de miséria, não têm acesso à energia, não consomem. E quando elas saírem da linha de pobreza, o que acontecerá?

Globalmente, o setor energético – tanto aquele que gera eletricidade como combustíveis – é o que mais emite carbono na atmosfera. Em poucos menos de 40 anos, ele dobrará de tamanho, mas as emissões terão que ser reduzidas pela metade.

Este certamente é o grande dilema do momento. Temos um orçamento planetário finito e como dividiremos o que nos resta para podermos sobreviver? “Que critérios vamos usar para fazer esta divisão”, questiona o especialista.

Países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, são responsáveis por 60% das emissões dos gases de efeito estufa. O Brasil aparece na média anual da emissão per capita, mas vem aumentando sua parte também. A Índia emite menos que a média global.

Serão muitos desafios e transformações nas próximas décadas. Para Tasso de Azevedo, no futuro não haverá espaço para o veículo de hoje, práticas agrícolas precisarão ser diferentes e a indústria terá de ser reinventada. Algumas iniciativas, como Climate Works*, provaram que com tecnologias e conhecimentos que já dominamos podemos reduzir as emissões de carbono.

A principal constatação é que nossas ações agora vão impactar a vida das futuras gerações. “As decisões precisam ser tomadas agora”, ressalta. Em abril do ano que vem, líderes mundiais vão anunciar suas propostas de contribuições para definir um novo acordo climático. Para Tasso, elas precisão ser muito ambiciosas.

O impacto das mudanças climáticas será sentido por todos, mas certamente os países pobres irão sofrer mais. Soluções tecnológicas não serão criadas por governos, mas certamente são eles que definirão o novo arranjo global que aponte a direção para a qual a sociedade deve se mover e criar um ambiente propício para isso.


Foto: Tommy Clark/Creative Commons
Fonte: Planeta Sustentável